Imagem capa - Amamentação, minha experiência por Karla Custodio
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Amamentação, minha experiência


A amamentação é um momento singular na relação de cada mãe e seu bebê.


"Amamentar é um ato de amor", essa é uma frase que eu escutei muitas vezes, mas também já escutei muitas mães se queixarem do peso dela.

São inúmeros e verdadeiros os benefícios da amamentação, seja para nutrição e desenvolvimento do bebê, para proteção e reforço no sistema imune, pela característica de adaptação do leite materno, pra sensibilização de alimentos com potencial alergênico. Sem falar no momento delicioso de contato com aquele bebezinho que ficou tanto tempo na barriga.

Apesar de todos esses benefícios a amamentação foi por muito tempo esmagada por uma série de pressões sociais. A grande vitória da mulher se inserindo no mercado de trabalho, a falta de licença maternidade realmente apropriada para mãe, o nosso próprio pensamento de precisar produzir e estar competitiva no mercado de trabalho. Ser da geração criada também com o artifício das mamadeiras, não por nossas mães não poderem amamentar, mas por que foram levadas a acreditar que aquele complemento de milho, aveia o seja o que for era forte e cheio de vitaminas. No final das contas todo mundo quer o melhor para seu bebê, e se a propaganda diz é verdade né ;)

Nesse cenário, nós perdemos um pouco daquele incentivo à amamentação e ai vem aquele monte de frases. "Seu leite é fraco", "Ele está tão magrinho", "Seu leite não é suficiente", tantas sentenças determinantes e pouco apoio, pouco conhecimento.



Quando a Clara nasceu, o que eu mais queria era amamentar, sonhei com aquele momento, mas não rolou. Talvez porque o parto tenha sido horrível e evoluído para uma cesária, talvez por eu não ter tido todos os benefício do trabalho de parto, por estar extremamente tensa, estressada e me sentindo culpada. O fato foi que ela nasceu na madrugada e só no outro dia de manhã a enfermeira colocou ela pra mamar, e adivinha... nada, depois de me levantar tentamos de novo, dessa vez com ela nos meus braços, nada outra vez. Mas eu estava otimista, o colostro vai descer, eu pensava. Ela tomando complemento no copinho na maternidade, e eu continuando a colocar ela no peito para estimular a produção, e nada. Seguimos assim, 20 minutos em cada seio antes do horário do complemento, recebemos alta e fomos pra casa. Continuamos na saga do copinho de complemento logo após de ela sugar as duas mamas vazias, mas eu seguia firme e esperançosa, a pega estava correta, vai dar tudo certo! No quarto dia o colostro desceu, fiquei super feliz, agora vai! Mas, não foi, ou melhor foi o que poderia ser. Eu achava que o problema estava resolvido, mas demanda da Clara já havia aumentado e nem mamando de hora em hora ela ficava saciada. Fomos no banco de leite e aprendemos a usar a sonda, o que facilitou a vida dela, mas dava um trabalhão. A cada 3 horas a ela tomava complemento na sonda e mamava no peito sempre que queria, então a cada três horas, prepara o leite amamenta põe para arrotar, limpa a sonda, esteriliza tudo e aguarda pra fazer tudo de novo (inclusive na madrugada), ainda teve o protocolo de ordenha nas duas mamas após cada mamada. Era o dia todo pra isso. Mas seguimos firmes, vai dar certo. Com o tempo a demanda dela foi aumentando e tentamos passar o complemento para a mamadeira, algumas vezes funcionou, mas nada melhor do que o mama da mamãe né, ela parou definitivamente de  aceitar a mamadeira e nós seguimos na sonda, nem que eu quisesse parar de amamentar eu podeira (está ai boa parte da razão de demorar a voltar ao trabalho), rsrs.






Começamos a introdução alimentar, pensei, agora ela vai começar a comer comidinha eu vou largar o complemento, sonhava com isso. Mas não rolou, imagina ela já grandinha e eu colocando sonda em qualquer lugar, seguimos assim. Com o tempo eu desapeguei, essa era nossa rotina, ela estava bem, e se esse é o leite que eu tenho para ela é esse que ela vai ter. Posso dizer que ela usufruiu de todos dos benefícios da amamentação, mas foi bem difícil. Eu não tive, dores, mastites ou problemas com a pega, mas a minha produção não foi suficiente para ser exclusiva. 

Com 9 meses a Clara passou a aceitar a mamadeira, mas ainda hoje ela mama no peito e tem horas que recusa a mamadeira. Eu aprendi a ler os sinais de saciedade dela e aquele medo dela não receber a nutrição necessária foi embora.


Com a minha experiência eu só reforcei o pensamento de que cada mãe tem necessidades e dificuldades diferentes, que o trabalho faz parte da maternidade, que nos deixa mais fortes e também mais sensíveis, que apoio é fundamental.

Se você ainda está nessa parte do caminho, confie no processo, na sua intuição e se informe com seu médico, procure os bancos de leite ou profissionais experientes e capacitados, eu recebi dicas valiosas.


Confie em você e no seu bebê!


Karla Custódio.